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Precisamos tratar cultura como coisa séria

Fim da Segunda Guerra. Surgem nas bancas de jornais revistas em quadrinhos de norte-americanos dotados de super-poderes, fantasiados em cores encontradas na bandeira dos EUA. O vermelho e azul do Homem Aranha e do Capitão América, por exemplo. Daí para superproduções cinematográficas em que americanos comuns salvam o planeta de ameaças diversas. E eis que o imaginário popular acredita piamente que a América é o paraíso, terra da liberdade e guardiã de tudo de bom.

Espertos, esses yankees. Passaram um belo verniz em Goebbels e utilizaram competentemente a cultura como a arma política que ela, de fato, é. Formadora de paradigmas e revolucionária desde a exibição dos rebolados de Elvis, é estimulante de auto-estima ou potencializadora de depressão social. Por aqui, terra de comédias ou de sertões, os difusores de cultura optaram por solapar a imagem nacional: país de corruptos, miseráveis, sem educação formal ou moral, em que nada dá certo.

Pequeno feudo de chantagistas - vá pesquisar como foram as outorgas de canais de rádio e TV -, os donos da moribunda grande mídia exploram um bem público - a frequência, o canal - em benefício de seus únicos interesses. Manipulam vergonhosamente os fatos na tentativa de desgastar os que os contrariem. Transformam imbecis em experts, desde que reverberem o patrão. Deseducam.

Os apupos dirigidos a Dilma na abertura da Copa 2014 são o resultado desse processo, intensificado após a eleição de Lula em 2002. Puxadas por um grupo Vip de camarote de banco, que aplaude torturadores de ontem e justiçeiros de hoje - dos que amarram trombadinhas em poste -, as vaias foram como os latidos de um cão a responder os comandos de seu dono. A salvação desses pobres passa por oferecer resistência institucional e contraponto ao chamado "quarto poder".

Chantagistas, falarão através de seus âncoras, apresentadores e "especialistas" que isso é um atentado a democracia. Como se democrática fosse a concentração da "voz" nas mãos de 5 ou 6 famílias. Pior, como se essa fosse uma preocupação legítima. Não é. O que, de fato, arrepia os cabelos dessas 5 ou 6 famílias é a perspectiva do fim de seus privilégios: reserva de mercado, subsídio ao papel-jornal, verbas publicitárias na casa de milhões. Esse é a "democracia" que desejam nossa "elite". E, por isso, o PT sofre a anos uma bem orquestrada campanha de desconstrução.

Os que vaiaram Dilma são vítimas. Da Globo e seu Jabor, de Veja e seu "tio Rei". Vítimas de uma ignorância alimentada pelos produtores de nossa cultura. E sua salvação passa por democratizar a propriedade de rádio e TV; por um canal público nos moldes da BBC britânica; por uma distribuição estratégica da publicidade oficial, que fortaleça a mídia alternativa e, consequentemente, um debate equilibrado de visões e idéias.



Escrito por Cassio Oliveira às 21h41
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A morte de Chavéz

Pode-se argumentar, não sem razão, que o presidente venezuelano foi o principal responsável pelo ódio que lhe foi dedicado pela antiga elite de lá e das Américas, a Latina e do Norte. Particularmente, sou dos que acreditam que foi essa carga de preconceitos diversos que provocou o câncer que lhe vitimou, oficialmente, ontem.

Enquanto a dona Folha de São Paulo estampa um editorial acerca de Hugo Chávez em que repete o adjetivo "populista" vezes demais para qualquer calouro de jornalismo, o povo presta homenagens ao líder que reduziu a parcela de miseráveis de 20,3% em 1998, para 7% em 2011. E foi esse olhar para os excluídos, batizado de bolivarianismo, que me faz crer ser no mínimo improvável um retrocesso menos político que social, com a volta dos antigos donos do poder.

Agoram uma pequena digressão: imagino se seria diferente do tratamento dispensado à morte de Chávez, fosse Lula o derrotado na luta pela própria vida.



Escrito por Cassio Oliveira às 23h56
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Santo de casa não faz milagre

Não que a oposição conte, em sua mirrada fileira, com alguém digno do título. Mas o ditado me parece ilustrar perfeitamente o alvoroço com o "presidenciável" Eduardo Campos, líder do PSB - partido da aliança que elegeu Lula e Dilma -.

Desencantados com o ungido Serra e seu correligionário Aécio, os antigos formadores de opinião cantam as glórias do governador pernambucano como que a testar a possibilidade de aposta em um racha da bancada governista que fragilizaria o governo e a reeleição de Dilma.

Particularmente, não acredito que o neto de Arraes troque uma garantida cadeira no senado federal por disputa que o fará - a si e a seu partido - encolher politicamente. Mas também achava impossível ver Heloísa Helena abraçada a ACM a espinafrar o governo Lula. Ambição, por mais que justa, cega. E, sem a noção exata de seu tamanho, inflado pelos saudosos do velho Brasil que fechava os olhos à periferia, Campos pode acabar convencido de que é maior do que é de fato. Como acontece com os que se assustam com sombras gigantescas.

Aos 30 anos, o PT não deve tremer com Campos - de resto, sombra do avô, que alcançou notoriedade local ao orbitar o conterrâneo Lula -. Ou com o neto de Tancredo - que parece pouco a vontade fora dos palácios mineiros ou de casas mais modestas do Rio de Janeiro -. É cuidar da geração de empregos, reformar a burocracia que empaca o crescimento e favorece a corrupção, manter a sensação de bem estar social e 2014 já é.



Escrito por Cassio Oliveira às 21h30
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A blogueira cubana

Em viagem ao Brasil, Yone ganha capa da Veja e é exortada como símbolo de uma repressão que, fosse selvagem como saudosos da Guerra Fria pintam, não permitiria a tour internacional de sua única celebridade virtual.

Que Fidel tenha cometido crimes contra a humanidade, não discuto. Mas me parece que hoje, sob o comando de Raul Castro, Cuba passa por transformação política cuja maior expressão, por paradoxo que seja, é a mesma Yone que nos foi apresentada como a heroína que derrubará, com letras, a ditadura castrista.

Mundo estranho esse.



Escrito por Cassio Oliveira às 22h51
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Supremo X Legislativo

Celso de Mello, nomeado ministro do Supremo pelo então presidente acidental Sarney, encerrou ou julgamento do assim chamado "mensalão" a alertar o Congresso de que a possível não cassação de mandato dos deputados condenados na referida ação penal seria "inaceitável" e outra meia dúzia de termos similares, proferidos geralmente em brocas maternais.

Goste-se ou não de Genoíno, João Paulo e demais, a constituição brasileira é clara: somente um representante popular eleito pode cassaro mandato de outro eleito. Ponto. E Mello e seus pares sabe disso. Daí a pergunta: a quem interessa uma eventual crise entre os poderes da república?

Não me causa espanto o alinhamento automático da outrora grande imprensa a postura adotada pelo STF. Faz parte do processo de demonização da política partidária que, desacreditada frente a população, abriria caminho para algum salvador da pátria que restitua a moral e os bons costumes. Foi assim em 1964.



Escrito por Cassio Oliveira às 20h00
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2012

Me impressiona o fascínio que a morte, o apocalipse e o fim do mundo nos provocam. E cá estou, a zapear a televisão e constatar que pipocam especiais referentes a profecia maia que prevê algum evento importante pra amanhã, 21.12.2012.

Alguns construiram bunkers na expectativa de sobreviver; outros sustentam que a data reserva a elevação da consciência humana. Particularmente, acredito que amanhã SP terá novo record de trânsito. Haverá filas quilométricas em estacionamentos de shoppings. Jornais, rádios e TVs darão o palco que Barbosa tanto gosta, ma expectativa da prisão de Dirceu, Genoíno e Cia. O que prejudicara qualquer processo de transformação transcendental do ser humano.



Escrito por Cassio Oliveira às 22h00
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Cultura

Mais que potência econômica e bélica, os norte-americanos são os mais competentes em aproveitar o potencial das artes em disseminar valores. Hollywood e sua indústria de cinema é mais poderosa que qualquer bomba ao vender o sonho americano como objetivo comum de qualquer sociedade que aspire assento no grupo das grandes nações. Sem contar os heróis que salvam o mundo de invasões de aliens, monstros de toda espécie e até da destruição. Na música, Sinatra e "New York, New York" e Bruce Springtein com "Born in the USA" são exemplos. Capitão América, personagem de gibi que ganhou as telas; o uniforme em cores da bandeira americana do Super-Homem e do Homem-Aranha nos lembram que a salvação do planeta depende, basicamente, do poderio yankee.

Cultura. Todas as manifestações culturais são armas na formação de imagem no consciente coletivo. Triste do país que ignora ou negligencia a arte.



Escrito por Cassio Oliveira às 20h33
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Eleições 2012

Noves fora, o grande vencedor dessas eleições municipais é o PT: a despeito de conquistar a prefeitura da capital paulistana, lançou novos quadros que, vitoriosos, darão novo impulso ao partido e,  derrotados, são apostas futuras. Perdedor é o PSDB, partido até então hegemônico da São Paulo abastada, que assistiu a derrota de seu "líder" Serra.

Muito se fala em Eduardo Campos e seu PSB, o que considero tolice má intencionada: me parece que a assim chamada grande imprensa infla o cacife do político pernambucano na esperança de criar ator político que rivalize que Lula/Dilma e abrace o projeto tucano de eleger Aécio presidente em 2014. De fato, Campos não elegeu Donizete em Campinas - cidade que viu, nos últimos anos, prefeito e vice saírem algemados da prefeitura -. Tampouco foi determinante na vitória de Lacerda em BH - administração das mais bem avaliadas no país -. Tenho sérias dúvidas da capacidade do governador pernambucano voar solo nesse momento, falta-lhe escopo nacional e um padrinho de peso que avalize eventual aventura.



Escrito por Cassio Oliveira às 12h26
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"É lixo..."

Ligação entre os envolvidos com paraísos fiscais e propina das privatizações segundo o livro-reportagem "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., Serra apareceu em público. E, questionado acerca da grana movimentada no exterior por amigos e familiares, disse apenas o que vai no título do post. "É tudo lixo...", acerta Serra. Lixo que salvo os "blogs sujos", Gazeta e Record na TV, e Carta Capital nas bancas, permaneceria escondido abaixo de pesado tapete.

O livro de Ribeiro Jr., independentemente das cicatrizes que deixará em Serra e seu exército midiático, é case: ignorado solenemente pela assim chamada "grande imprensa", mmostrou a força política da blogosfera brasileira.

Viva a democracia.

 



Escrito por Cassio Oliveira às 01h03
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O freio de mão está solto

O que é bom. Gosto de ler e escrever, poesia e política. Tenho dedicado muito mais de meu tempo na leitura, com eventuais comentários postados - e negativados pelos arautos do atraso que dominam o espaço - na Folha Online. E o que vejo me faz acreditar que os até então fidalgos de nossa pequena burguesia terceiro-mundista deixaram-se dominar pelo instinto primário de sobrevivência na escala social sem qualquer resquício de polidez. A maldade rosna, a bondade sorri. A primeira assusta, a segunda apaixona. Serra é o professor mal humorado, que amedronta; Lula é o tio divertido, sem firulas, com quem se gosta de conversar. Os anti-petistas espumam; e o povo vai muito bem, obrigado.

Uma grande nação é construída por um povo desenvolvido. Estamos, ao menos, dois séculos atrasados em educação e saúde de qualidade e acessíveis; no fomento de uma classe média capaz de operar um país dirigido por uma elite que pense para além das fronteiras de seus interesses. Particularmente, acredito que deixaremos de ser primo pobre dos norte-americanos quando formos irmãos da Europa do "Estado de bem-estar social". Imposto sobre grandes fortunas é discussão mais urgente que financiamento público de campanha. Os mais ricos financiam os mais pobres com juros absurdos; que devolvam para a sociedade parte do lucro de seu furto institucionalizado.

A galera que instalou o "impostômetro" não tem um sonegador que seja? E os mitos "gastos públicos" e "gestão"... O Brasil é grande e heterogêneo demais, cada região com particularidades e demandas específicas. Cuidamos dos nossos melhor que chineses e indianos, mas a comparação é sacana. O trabalho mal começou, visto na perspectiva da história. Se não for paralisado, daqui 50 anos a gente conversa.

O cacete é que bicho acuado é perigoso, cansei de ouvir de gente sabida. E a moçada que festeja o câncer de Lula; que agride homossexuais em avenidas de metrópole que se pretende "cosmopolita", "moderna"; que menospreza negro, nordestino e pobre - e tanto mais se for um nordestino negro e pobre -; essa moçada é bicho acuado. Acostumados desde sempre a nadar de braçadas em praias exclusivas, não admitem a proximidade com esse mar de gente que danou a vida dos engravatados frequentadores da ponte-aéra quando passaram a viajar de avião; que congestionam os estacionamentos de shoppings com seus carros populares financiados em 60 meses e as filas da loja daquela grife que, "sei não... tá virando muito popular...".

E quem tá muito popular é o Brasil. Que precisa, seu povo, abandonar a postura de mulherzinha insegura e gostosa que se enxerga gorda ou magra demais. A descontar os dois séculos de atraso, e os 500 de rapinagem de amigos dos reis, o cenário não é tão desolador. O tempo joga a nosso favor; a natureza, então... A gente carece é de desenvolvimento. Humano. O povo tem que ler mais. E livros, revistas, sites e jornais tem que escrever melhor. Ou vão desaparecer e acusar o PT de tramar o fim da imprensa livre e instituir a ditadura do pensamento único, sem oposição.

Daí pergunto: a oposição ao progresso merece audiência? Que descanse com a paz possível...



Escrito por Cassio Oliveira às 00h12
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"A Privataria tucana"

Terminei hoje, após 10 horas, a leitura do livro que empresta o título do post. Best seller instantâneo, 15 mil cópias vendidas em um dia apesar de ignorado acintosamente pela assim chamada "grande imprensa". Que, não satisfeita em mostrar desavergonhadamente o rosto despido da máscara da dissimulação grosseira,  arreia as calças em malabarismos retóricos para a vitimização do réu com a piscopatia expressa na mais completa ausência de emoção e, por consequência, remorso: José Serra.

Repórter investigativo multipremiado, Amaury Ribeiro Jr era o cara certo no lugar errado em equação que resultou positiva: alvejado durante investigação de narcotráfico no entorno de Brasília, foi transferido às páginas de política no jornal Estado de Minas. Com a missão de investigar as ações do então governador de SP contra o correligionário mineiro Aécio Neves - pré-candidato tucano a sucessão de Lula -, Ribeiro mergulha nas relações umbilicais de protagonistas nas privatizações promovidas no governo FHC: Ricardo Sérgio, Gregório Preciado, Daniel Dantas e outros de menor calibre, todos a orbitar o clã Serra.

Com quase um terço de páginas dedicadas a cópias de documentos obtidos legalmente em juntas comerciais e cartórios, Amaury segue o dinheiro que viaja de contas bancárias em paraísos fiscais para empresas de Verônica Serra - filha de José - e o marido Alexandre; para empresas do ex-arrecadador das campanhas tucanas ao governo federal de 1994, 1998 e 2002, nomeado diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio; empréstimos suspeitos, responsáveis por prejuízos milionários aos cofres públicos, avalizados por este para Preciado, primo de Serra. Material que não poderia ser confrontado senão com a história da carochinha em que o monstro (PT) persegue anti-herói que ganha simpatia por apanhar sempre (Serra)

Linha de frente na disseminação da fábula, Folha de São Paulo e, sempre ela, Veja, protagonizam o pastelão: a primeira com a publicação, hoje, de manchete "Livro de Dilma liga Serra a ataques anônimos em 2010", que faz o leitor incalto acreditar que Serra é caluniado pelos apoiadores da presidenta; a segunda, com capa e reportagem acerca do envolvimento de petistas mineiros na formação da "lista de furnas" - pretenso encândalo requentado -, a caracterizar o partido de Lula como fabricante e consumidor de dossiês contra adversários. A tragicomédia é interpretada pelo blogueiro abrigado no portal mais famoso da família Civitta, Reinaldo Azevedo, a defender a honestidade do autointitulado ex-"melhor ministro da saúde que o Brasil já teve" e a "denunciar" a sanha petista pelo poder eterno.

Apesar de pobre no estilo, "A Privataria Tucana" é registro rico e fiel da pilhagem ao patrimônio público e da formação de quadrilha com métodos sofisticados promovidas pelo tucanato quando no poder central. E do enriquecimento de grão-tucanos, notadamente os amigos mais próximos de José Serra. Vale a leitura, antes que acabe proibido pelo ministro de STF Gilmar Mendes.



Escrito por Cassio Oliveira às 22h02
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Dilma, Palocci e a tábua de salvação do PSDB

A quebra do sigilo bancário de Francenildo transformou Palocci em vidraça. Petista de discurso moderado, amigo da banca, era a aposta de Lula para as eleições 2010. Menos, na minha leitura, por eventuais qualidades de gestor e líder político do que pela possibilidade de quebrar preconceitos de empresariado e classes médias ao PT. Nomeado principal nome da equipe de Dilma, foi novamente ao chão.

Reportagem da Folha de SP "denunciou" o aumento do patrimônio do então deputado federal por 20 em 4 anos, "prova" de tráfico de influência e improbidade administrativa. Interessante notar que Palocci passou, literalmente, recibo dos supostos crimes: toda a movimentação financeira de sua empresa foi declarada aos órgãos de arrecadação. Impostos federais, estaduas e municipais foram pagos. A prefeitura de SP, encabeçada por Kassab - protegido de Serra -, tratou de repassar ao jornal paulistano os dados fiscais da Projeto. E o vazamento do sigilo, repercutido pelo restante da oposição - midiática inclusa - foi transformado na "primeira crise" do governo Dilma.

Ocorre que Dilma, centralizadora, precisa menos de um ministro forte que Lula precisou dela: não houve paralisia em seu governo ou pânico nos "mercados". Tampouco sua seriedade foi questionada. Daí que a fritura e queda de Palocci não serviu para ninguém mais que Serra, o padrinho político do vazador. Explico:

Derrotado na disputa pelo controle do PSDB nacional, Serra viu suas ambições políticas restringidas as fronteiras de São Paulo. Uma eventual boa gestão de Palocci na Casa Civil de Dilma o colocaria na vitrine para a disputa do governo desse Estado, um risco para a hegemonia tucana e as pretensões de sobrevida política do ex-melhor ministro da saúde que o Brasil já teve. E a Folha, sua mais fiel parceira, não fez mais que o trabalho sujo de publicar em manchete de primeira página o sigilo fiscal de uma empresa privada que não sonegou impostos.



Escrito por Cassio Oliveira às 12h49
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E FHC falou...

Melhor - ou pior - escreveu texto em que preconiza ao seu PSDB e agregados de menor vulto o abandono do flerte com o "povão".

O ex não fez mais que assumir o papel desempenhado com amargura pelos ex: amante abandonado, entorpecido por destilados exclusivos aos de vaidade proporcional ao dote, jura não sofrer saudades do objeto de seu afeto. No caso em tela, o poder.

FH e seu PSDB - o que compartilha com Serra, Álvaro Dias e Arthur Virgílio, não o de Covas e Montoro -, quando muito, enxergaram os menos favorecidos como escada, descartável, para alcançar e manter o poder supremo. Foi o que assistimos em 1998, com a manutenção irresponsável da paridade dólar x real, abandonada após a reeleição garantida; foi o visto na campanha de 2006, quando Alckmin vestiu boné e macacão de empresa estatal em tentativa desesperada de demonstrar amor ao patrimônio público; e foi o que Serra demonstrou, ano passado, com propostas populistas de mínimo a 600 reais e 10% de aumento aos aposentados.

É final de quaresma mas, ao ler o artigo de FH, apesar de fora de época, relembrei samba-marchinha de Chico Buarque: "o estandarte do sanatório geral vai passar...".



Escrito por Cassio Oliveira às 22h09
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Não consegui dar título ao post em tela. Mas preciso dividir minhas percepçöes acerca do infanticídeo praticado por Wellington Menezes de Oliveira, autor de um crime que choca pela idade das vítimas e por não ser comum. Explico: quantos Wellingtons fomos/conhecemos quando crianças? Quantos Wellingtons sofremos/sofreram nas mãos, pontapés e chacotas dos meninos e meninas "populares" em páteos de colégios ricos e pobres espalhados por aí?

Longe de justificar o injustificável, acredito ser um desserviço o sensacionalismo mezzo emotivo mezzo pseudo psicológico da imprensa que estampa "Massacre" nas manchetes e busca retratar o atirador como perturbado e fanático religioso. Wellington não é único, caso isolado de garoto que, admoestado na infância, acerta violentamente as contas com um passado que, ao que parece, lhe deixou marcas e cicatrizes que os anos não curaram. E detector de metais ou policiais em sala de aula, na minha leitura, não impedirão que novos Wellingtons sejam transformados em "monstros".

Na minha opinião, quem vitimou as 12 crianças na escola de Realengo não foi Wellington; foi a falta de respeito, a falta de amor ao próximo, a falta de tolerância e aceitação. E o crime em tela deveria servir, mais que catarse coletiva, de oportunidade da sociedade discutir séria e profundamente esses valores universais. É mais que hora de se valorizar heróis como Cristo, Gandhi e Martin Luther King, e calar a voz de porta bandeiras da intolerância como Bolsonaro.

Se vivenciarmos em nosso dia a dia, o tempo todo, a Lei do Amor; se amarmos ao próximo como a nós mesmos; duvido que novos Wellingtons façam novas vítimas.



Escrito por Cassio Oliveira às 23h41
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Bolsonaro e CQC: Tudo a Ver

O deputado carioca Jair Bolsonaro (PP) ganhou notoriedade nacional após resposta racista-sexista-homofóbica dada a Preta Gil no quadro "O Povo Quer Saber", do programa comandado por Marcelo Tas e exibido pela Band.

A militância dos direitos humanos rapidamente deu resposta nas mídias sociais, com protestos e abaixo assinados virtuais contra o reconhecido troglodita, defensor também da tortura praticada pelos colegas de farda nos anos 1960-1980. Mas não vi ninguém levantar as razões que levaram Bolsonaro a estrelar um quadro no "modernoso" programa do "modernoso" Tas.

Pois bem: 16 de março passado, o Instituto Millenium promoveu, no RJ, o seminário "Liberdade em Debate: Democracia e Liberdade de Expressão". Para quem desconhece, o tal "instituto" é agremiação de grande empresários e grupos de mídia que pretende vigiar a "sanha golpista" da esquerda - PT - que chegou ao poder pelo voto; basicamente, a mesma turma que, em 64, cobrou dos então "homens de bem desse país" - os militares - a salvação contra o "comunista" João Goulart. E daí?

Daí que Marcelo Tas, o "modernoso" apresentador do "modernoso" CQC, participou - ao lado de Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja - do painel "Liberdade x Politicamente Correto". E, duas semanas depois, o apresentador deu espaço para que Bolsonaro mostrasse quem é e atestasse: o politicamente correto - direitos das minorias - é, de fato, ameaça a "democracia" e "liberdade de expressão" - como provam as manifestações de repúdio ao deputado -.

Não acredito em coincidência. Entendo que Tas - macaco velho da Comunicação - utilizou uma figura reconhecida pela truculência para estimular um debate que, ao final, só deseduca. Liberdade de Expressão não é conceito absoluto. Aprendemos, ainda crianças, que "a liberdade de um termina onde começa a do outro". Bolsonaro é livre para gostar e desgostar do que quiser - ou puder entender -. E pode falar o que bem quiser em casa ou clubes militares. Mas, parlamentar, tem compromisso com um decoro que deveria impedir racismo ou homofobia.

Bolsonaro não é a doença; é sintoma. Mirar apenas no deputado é tentar curar câncer com aspirina. Melhor fariam os militantes se discutissem medidas contra os que manipulam um desequilibrado - e se alguém tiver melhor adjetivo para o referido, altero de bom grado - em prol de seus interesses. E a participação de Tas em convescote, ao lado do auto proclamado "tio Rei", é para mim sinal claro de que, o câncer, no caso em tela, é o CQC.



Escrito por Cassio Oliveira às 20h40
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A estupidez militante não respeita o luto

Cá estou a envenenar o espírito, com moderação, na leitura do blog que é bunker do pensamento retrógrado de Higienópolis e Jardins paulistano, abrigado no portal da revista Veja e redigido pelo autoproclamado "tio Rei".

O democrata de si mesmo, pouco depois do assassinato das 12 crianças em uma escola de Realengo, desandou a espinafrar os que pretendem retomar o debate acerca do desarmamento. O argumento, raso e característico dos apresentadores de jornais sensacionalistas na TV, faz referência ao fato de que bandidos, por desobadecer a Lei, não entregariam as armas. Já os ditos "homens de bem", esses ficariam a mercê de criminosos sem a possibilidade de defesa.

Vale lembrar que "tio Rei", serviçal desavergonhado, não defende o direito de um trabalhador honesto perambular com uma ou quantas armas achar necessário na cintura. De fato, conheço poucos da categoria dispostos a empunhar fuzis ou singelos calibres 22. E desafio quem os conheça em quantidade/qualidade significativa a me apresentá-los. O que o blogueiro da Veja defende, isso sim, é o interesse corporativista da família Civitta: o suntuoso Edifício Birmann 21, localizado às margens da Marginal Pinheiros, que serve de guarida a sua Editora, é propriedade da família do empresário gaúcho Daniel Birmann, controlador da CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos (!) -, a maior produtora de munição da América Latina e responsável pelo fornecimento de 30% das balas disparadas no Brasil.



Escrito por Cassio Oliveira às 19h54
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O ano novo de Kassab

Quando da renúncia de Serra e a "promoção" de seu vice ao cargo de prefeito, imaginei que o até então famoso ex supersecretário de Pitta aproveitaria o presente para ocupar com legitimidade o espaço deixado por Jânio, Maluf e afins e ocupado, por falta de alternativa viável, pela tucanada. Acreditei que Kassab buscaria consolidar uma marca para a gestão que herdara, algo que promovesse seu nome para além das fronteiras paulistanas e o credenciasse como porta voz de um segmento que encontra representação política, apenas, em veículos de imprensa. Notadamente Folha, Estadão Globo, Veja e Estadão. Bobagem: a administração, medíocre, é avaliada com cada vez menor generosidade pelos paulistanos que lhe conferiram o cargo.

Ainda assim, o "futuro político" de Kassab é pauta de colunistas e reportagens que ora apontam PMDB, ora PSB e, recentemente, o a ser criado PDB como destino do prefeito que promete enfrentar Geraldo, o Alckmin, em 2014. Isso, claro, se Serra, o padrinho, não decidir brigar pelo cargo.

Por mim Kassab deveria ir, sem hesitar, para o limbo que acolheu José.



Escrito por Cassio Oliveira às 01h00
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Um pouco de música

Vocalista do Matchbox Twenty - banda de relativo sucesso nos 90's, que emplacou o hit 3 A.M. nas rádios "jovem" paulistanas - e a voz de "Smooth", de Carlos Santana, Rob Thomas lançou em 2009 seu último trabalho solo, "Cradlesong". E provou que é possível dar dignidade ao pop.

"Her Diamonds", que abre o álbum, é uma belíssima canção de amor e desespero. Foi composta em homenagem a sua esposa Marisol Maldonado, portadora de lúpus erimatoso sistêmico, doença autoimune degenerativa ainda sem cura. Versos como "She tried her best and now she can't win, it's hard to see then on the ground, her diamonds falling down", "by the light of the moon she rubs her eyes, sits down on the bed and starts to cry and there's something less about her. And I don't know what I supposed to do so I sit down and I cry too. But don't let her see" representam uma entrega, cumplicidade e melancolia de uma beleza cativante. E é só o começo.

Em "Give me the Meldown" Rob Thomas mostra não ter vergonha de escancarar os 38 anos de estrada e presta homenagem ao INXS de Michael Hutchence. Boa música. Mas o sujeito se supera é nas baladas: "Someday", bela letra de mensagem alto astral embalada por contrabaixo poderoso, guitarra distorcida e um coral gospel matadores; e "Mockingbird", uma porrada que valeria, fosse o caso, pelo verso "Take my hand and I will lead you through the broken promise land".

Vale a pena.



Escrito por Cassio Oliveira às 20h38
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Feliz 2011

Dilma é Presidente, Ronaldinho Gaúcho é do Flamengo e as seguidas crises que arrebentam o planeta ainda são marolinha nesse Brasil que sofre, sim, com as chuvas de verão. E que, por justiça, debite-se a conta das centenas de vítimas ao descaso de governos passados com os segmentos mais pobres da população.

Dilma Presidente(a) é símbolo poderoso de um povo que reconhece o "seu" país e tomou as rédeas de seu destino. Mais: é bala de prata em José Serra, protagonista da campanha política - a última - mais retrógrada, careta de que tenho notícia por aqui. Descanse em paz, José.

Ronaldinho Gaúcho, se jogar 30% do que jogou em passado não tão distante assim, já é o maior jogador brasileiro em atividade nos gramados locais. Jogo do Flamengo agora é espetáculo do improviso, é jazz e carnaval. Que Adriano volte logo pra puxar o grito da galera nos palcos do Brasileirão 2011.

2011 que começa, de fato, em março. E será melhor que o 2010 recém encerrado.



Escrito por Cassio Oliveira às 19h58
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Dilmenstein, o Serra que FHC sonhava

No carnaval em que Serra foi passear em Recife e Salvador, provavelmente cansado de fugir de perguntas inconvenientes como a desferida por repórter da TV Brasil acerca das famílias desprovidas de água da Zona Sul paulistana, Gilberto Dimenstein, colunista do caderno Cotidiano da Folha de SP, faz o papel que Fernando Henrique Cardoso imaginou, um dia, ser desempenhado por seu pupilo e candidato à sucessão de Lula.

Em texto recheado de preconceito elitista, afirma o xará de Kassab:

"ESTÁ EM FASE de conclusão uma pesquisa, realizada pela Ipsos, mostrando que 31% dos brasileiros com ensino superior não sabem citar corretamente o nome de pelo menos um ministro -vamos repetir, apenas um nome. Estamos falando aqui das pessoas com maior nível educacional.
Esse grau de desinformação ajuda a explicar um estranho fenômeno da política brasileira. Consigo entender que o prestígio de Fernando Henrique Cardoso não brilhe na população em geral, gerando um alto grau de rejeição: foram várias as crises que explodiram em sua gestão, especialmente no segundo mandato, entre as quais o apagão.
Grave, de fato, para o ex-presidente, é que sua credibilidade, mesmo entre a ínfima minoria dos diplomados em faculdade, esteja abaixo de celebridades como Zezé Di Camargo, Ronaldo Fenômeno, Gugu Liberato, Ivete Sangalo ou Hebe Camargo -o ranking da credibilidade foi montado pelo Datafolha.
Qualquer indivíduo com um mínimo de informação e equilíbrio, mesmo que não goste de Fernando Henrique, certamente reconhecerá que essa posição é historicamente injusta. Nesse ranking, Lula está, em geral, em primeiro lugar; entre os diplomados, em terceiro lugar. É justamente em cima disso que se está montando, nessa sucessão presidencial, uma empulhação marqueteira."

Gilberto deixa claro a indignação com o fato de universitários depositarem fé maior em Lula, cantores sertanejos e baianos, jogadores de futebol e apresentadores de programas populares da TV do que em Fernando Henrique Cardoso. E continua:

"Lula não seria o Lula que está aí sem Fernando Henrique. Ele herdou uma inflação baixa, reformas que favoreceram o crescimento econômico, leis que reduziram a indisciplina de gastos estatais e a base para a construção do Bolsa Família. No final mandato de FCH, seis milhões de famílias recebiam bolsas associadas à escola, à saúde e ao trabalho infantil, e já havia projetos para a unificação de todos esses programas.
Lula assegurou a estabilidade econômica e ampliou os gastos sociais. Em essência, é um governo de continuidade. É a imagem de uma corrida de bastão."

Aqui, Gilberto escancara a estratégia que o PSDB deverá martelar entre julho e outubro: a tal "continuidade sem continuísmo". Fato é que Lula não herdou inflação tão baixa assim: ao apagar das luzes de FH, a taxa batia em 12%; e o que impulsionou o crescimento econômico não foram "reformas" - a propósito, quais? - promovidas pelo tucanato, mas o fortalecimento do mercado interno calcado em crédito farto e distribuição de renda. A imagem "corrida de bastão", honesta em princípio com a alternância de poder, ignora o fato de Lula ter recebido o referido na altura das reservas cambiais legada pelo "príncipe": no chão.

Segue o xará de Kassab:

"A empulhação marqueteira está no seguinte: o corredor que pegou por último o bastão vangloriar-se de ter conseguido ir muito mais longe. Não que os dois governos não possam ser comparados. Do jeito que está colocada, porém, a comparação pode servir para dar voto, mas pouco ajuda para uma análise crítica do país -e aí está um "desserviço" educacional.
O levantamento da Ipsos indica que, apesar de todos os avanços da democracia, a desinformação é generalizada. Se pouca gente sabe indicar corretamente um único nome de ministro, menos ainda sabe avaliar as políticas públicas, cujos processos são complexos. São raros os eleitores capazes de discorrer sobre o papel de cada nível de governo."

Ah, o desafio retórico das oposições... Gilberto chama de "empulhação marqueteira" a comemoração dos vitoriosos: Lula foi, de fato, muito além de FHC e, em qualquer esporte - para ficar na "corrida" evocada pelo articulista -, tem direito ao pódio e/ou garrafa de champagne. A comparação entre o governo atual e o anterior só pode ser encarada como "desserviço" pelos poucos defensores desse último.

Para encerrar, Gilberto:

"O resultado disso é que um dos principais responsáveis por um dos marcos históricos nacionais -o controle da inflação- não seja visto, mesmo por pessoas com educação mais avançada. O mesmo ocorre com alguém que mereça mais credibilidade do que celebridades fugazes. Para completar, tudo isso é transformado no principal mote de toda uma eleição presidencial. "

Façamos Justiça: FH é, sem dúvida, um dos principais responsáves pelo controle da inflação em níveis aceitáveis. Zezé e Luciano, Hebe e Gugu não são celebridades fugazes. Tudo isso - FH, Lula, Hebe, Gugu, Ivete Sangalo - é retrato do "rebolation" - esse sim, fenômeno da estação - que as hostes demotucanas dançarão nos próximos meses.



Escrito por Cassio Oliveira às 17h58
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Medo da verdade

Conferências Nacionais - CONFECOM (Comunicação); Direitos Humanos; etc. - são a possibilidade de debate entre Executivo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil organizada acerca dos rumos futuro do país nos temas propostos. A XI Conferência Nacional dos Direitos Humanos, encerrada no final de dezembro passado após meses de discussão em instâncias municipais e estaduais - sob a coordenação do governo federal -, deixou uma série de propostas que deverão ser levadas a voto no Congresso, pelo Presidente Lula. Repito: propostas que poderão, ou não virar lei.

Estão previstos no documento final da Conferência: ampliação e fortalecimento de ações de desenvolvimento sustentável e respeito ao meio ambiente; de políticas de inclusão social e combate a fome; erradicação do trabalho infantil; e a taxação do imposto sobre grandes fortunas, entre outras propostas.

Não surpreendentemente, o ítem que mereceu maior "destaque" - e porrada - da assim chamada "grande mídia" foi a sugestão de se criar uma comissão de trabalho, Comissão Nacional da Verdade, "composta de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazo definidos, para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período mencionado, observado o seguinte: O Grupo de Trabalho será formado por representantes da Casa Civil da Presidência da República, que o presidirá, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, do presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei 9.140/95 e de representante da sociedade civil, indicado por esta Comissão Especial".

Completa o texto:

"Ações Programáticas:
a) Designar Grupo de Trabalho composto por representantes da Casa Civil, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, para elaborar, até abril de 2010, Projeto de Lei que institua COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, composta de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazo definidos, para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período mencionado, observado o seguinte:

* O Grupo de Trabalho será formado por representantes da Casa Civil da Presidência da República, que o presidirá, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, do presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei 9.140/95 e de representante da sociedade civil, indicado por esta Comissão Especial;
* Com o objetivo de promover o maior intercâmbio de informações e a proteção mais eficiente dos Direitos Humanos, a COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE estabelecerá coordenação com as atividades desenvolvidas pelos seguintes órgãos:

o Arquivo Nacional, vinculado à Casa Civil da Presidência da República;
o Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça;
o Comissão Especial criada pela Lei nº 9.140/95, vinculada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República;
o Comitê Interinstitucional de Supervisão instituído pelo Decreto Presidencial de 17 de julho de 2009;
o Grupo de Trabalho instituído pela Portaria nº 567/MD, de 29 de abril de 2009, do Ministro de Estado da Defesa;

* No exercício de suas atribuições, a COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE poderá realizar as seguintes atividades: 

o requisitar documentos públicos, com a colaboração das respectivas autoridades, bem como requerer ao Judiciário o acesso a documentos privados;
o colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979;
o promover, com base em seus informes, a reconstrução da história dos casos de violação de Direitos Humanos, bem como a assistência às vítimas de tais violações;
o promover, com base no acesso às informações, os meios e recursos necessários para a localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos;
o identificar e tornar públicas as estruturas utilizadas para a prática de violações de Direitos Humanos, suas ramificações nos diversos aparelhos de Estado e em outras instâncias da sociedade;
o registrar e divulgar seus procedimentos oficiais, a fim de garantir o esclarecimento circunstanciado de torturas, mortes e desaparecimentos, devendo-se discriminá-los e encaminhá-los aos órgãos competentes;
o apresentar recomendações para promover a efetiva reconciliação nacional e prevenir no sentido da não repetição de violações de Direitos Humanos.

A COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE deverá apresentar, anualmente, um relatório circunstanciado que exponha as atividades realizadas e as respectivas conclusões com base em informações colhidas ou recebidas em decorrência do exercício de suas atribuições."

A imprensa militante, viúva do poder desde a eleição de Lula e ciente das dificuldades que encontrará para levar ao trono o seu favorito, manipula grosseiramente os fatos ao afirmar que as propostas da Comissão são obra do governo em curso com cunho revanchista. São, isso sim, o desejo dos debatedores de trazer à luz o terrorismo de Estado praticado pela ditadura militar que tão bem "alimentou" os atuais barões da mídia nativa. São esses - e seus mais fiéis servos -, acostumados a toda espécie de distorções da realidade, os que temem a Verdade.



Escrito por Cassio Oliveira às 13h38
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Feliz 2010

O ano promete: eleições, Copa do Mundo, economia aquecida, mais gente empregada, mais dinheiro em circulação e a roda a girar.

Pena que a mentalidade de alguns boçais não evolui com a passar do tempo: Boris Casoy, jornalista, apresentador do Jornal da Band, o do bordão "isso é uma vergonha", demonstrou, no apagar das luzes de 2009, a verdadeira essência da pretensa elite moralista.

No dia seguinte, 01 de janeiro, Casoy declarou no ar: "Ontem, durante o intervalo do 'Jornal da Band', em um vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do 'Jornal da Band'."  Uma bobagem retórica: o jornalista, ao se acreditar longe das câmeras e com microfone desligado, foi honesto com o que acredita. Se lhe serve de consolo - e para o desgosto dos que celebram a igualdade -, ele não está sozinho na mesquinhez com que enxerga os menos favorecidos.



Escrito por Cassio Oliveira às 21h37
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Questão de prioridade

Matéria publicada hoje no UOL Notícias, sob o título "Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a Marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP", mostra que, definitivamente, a dupla Serra e Kassab não tem compromisso nenhum com a população menos favorecida das periferias:

"As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

'Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo', justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h."

A Emae, Empresa Metropolitana de Águas e Energia, controlada pelo governo de São Paulo - portanto, por José Serra - é uma empresa de capital misto (público e privado) com ações na Bovespa, encarregada de controlar o volume de água do Rio Pinheiros, da Represa de Guarapiranga, da Usina Elevatória de Traição e Usina Hidrelétrica Henry Borden. Qualquer iniciativa da empresa é de responsabilidade do governador de plantão.

A ordem para o fechamento das comportas - obra do governo Serra - concentrou os prejuízos provocados pelo temporal da semana passada em uma das áreas mais pobres da capital paulista e reduto eleitoral do PT. A região, conhecida por Pantanal, inundada a uma semana, conta com apenas uma unidade do AMA (Atendimento Médico Ambulatorial), localizada no Jardim Romano, com dois médicos de plantão. Oficialmente, nenhum caso de doença foi registrado nos moradores, que relatam vômitos, diarreia, febre, dores no corpo e sintomas "estranhos" e estão sujeitos a doenças como a hepatite A e a leptospirose (transmitida pela urina de ratos) - cujo período de incubamento é de 5 a 7 dias -.

De volta a matéria do UOL Notícias:

"Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. "Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou", disse. 'E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa'.

'Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui', reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.

'Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?', perguntou Souza, indignado. 'O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade', concluiu."

É o governo José Serra, que deveria mudar o slogan para "Presidência da República, Trabalhando por você".



Escrito por Cassio Oliveira às 13h37
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O idiota e o imbecil

Imbecilidade é, na psiquiatria, o grau intermediário da tríade oligofrênica, e os indivíduos portadores de imbecilidade são acompanhados de um certo grau de desenvolvimento intelectual que os permite um mínimo aprendizado. O imbecil é caracterizado por sujeitar-se facilmente às sugestões, podendo constituir-se em perigo a outrem, por conta disso: se sugestionado para o mal, não têm os freios morais para questionar. Já o idiota é absolutamente desprovido da desenvolvimento inteletual.

Reinaldo Azevedo, o auto proclamado "tio rei", blogueiro da Veja, é um imbecil. Rapaz articulado, decorou bem regras gramáticais e trechos de livros. Abrigado sob as asas da familília Civita, não possui os acima citados "freios morais" necessários para evitar atitudes estúpidas, como demonstra o post "Kassab e Serra provocam outro temporal em SP", publicado as 18h15 dessa quarta-feira:

Xiii… O mundo desaba em São Paulo. Uma chuva como raramente vi. Lá vêm as enchentes. A Al Qaeda petralha já pode tirar as pautas de sempre do arquivo. Amanhã, a imprensa filopetista demonstra que é tudo culpa de Kassab e de Serra. Se o PT estivesse na Prefeitura e no governo do Estado, é claro que não choveria isso tudo.

O fato: choveu menos, hoje, que na semana passada, o que mesmo um imbecil feito "tio rei" não teria maiores dificuldades de prever enchentes, trânsito caótico, etc. O PT, na prefeitura de SP, sofreu com enchentes a ponto de Marta Suplicy receber, da Vejinha, matéria com título de "A perua na lama". Diferença é que Marta não se escondeu como Kassab e Serra, o que ainda lhe valeu xingamentos de toda a ordem de moradores revoltados com transmissão ao vivo nas TVs abertas.

Kassab e/ou Serra, incompetentes para o beabá, certamente não fariam chover. São culpados, isso sim, por omissão, pelo descaso de permitir que novos temporais agravem os problemas ainda não solucionados da chuva anterior. Tempo - uma semana - para a retirada dos moradores ilhados e a drenagem do lamaçal nos bairros atingidos não faltou. Faltou vontade política, motivação e a coragem que Marta tinha de sobra.

"Imprensa filopetista" é outra imbecilidade do blogueiro, como mostra trecho da coluna "As cinzas de São Paulo", publicada por Clovis Rossi na página 3 da Folha de SP no dia 14 de fevereiro de 2002:

Quatorze meses de gestão é tempo suficiente para, pelo menos, começar um trabalho que evitasse as cenas dantescas que a televisão mostrava no começo da noite. Ainda mais que a chuva não parece ter sido tão formidável para que toda a culpa seja jogada para o velho e bom são Pedro.
Afinal, não é segredo para ninguém que a cidade é, digamos, "inundável".
Todo mundo sabe quais são as áreas mais sujeitas a risco.
O fato é que São Paulo tornou-se um inferno, e ninguém mostra talento e competência para levá-la pelo menos para o purgatório.

Que Serra utilizou o mandato relâmpago de prefeito como trampolim, não resta dúvidas. Mas transformar a cidade que lhe elegeu em piscina para "o salto", aí é sacanagem.



Escrito por Cassio Oliveira às 21h35
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Venezuela no Mercosul

Após Argentina e Uruguai, finalmente o Brasil avaliza a entrada da Venezuela no Mercosul. Em votação apertada, o Senado brasileiro aprovou o requerimento por 35 a 27 votos. Falta agora o Paraguai, que aguardava a posição brasileira para decidir.

Os porta bandeiras do "autoritarismo de poucos" gritam: Lula fez acordo com um ditador, aliado do Irã, amigo de Fidel, blá blá blá.

Lembro que, na semana de 22 de outubro, um dos principais opositores de Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, veio ao Brasil e defendeu a aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul sob  argumento de que o povo venezuelano não pode ser punido com o isolamento por causa do governo Chávez.



Escrito por Cassio Oliveira às 17h08
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A importância da leitura para a escrita

No caderno Brasil dessa quarta-feira, matéria de Fábio Zanini traz o título: "Em 'crescente desacordo' com o governo, Ciro ataca o PMDB". Segue o texto:

Dizendo-se em "crescente desacordo com o governo", o presidenciável do PSB, deputado Ciro Gomes (CE), aproveitou um momento de tensão na aliança entre PT e PMDB e partiu ontem para cima dos peemedebistas. A artilharia incluiu o nome mais cotado para vice na chapa petista, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP).
"Estou em crescente desacordo com o governo. Não topo mais ficar calado", disse. É a primeira vez que Ciro estende ao governo Lula suas críticas à aliança entre PT e PMDB.
Em entrevista à Folha, Ciro afirmou que Temer é o representante maior de uma "hegemonia" que paralisa a Câmara dos Deputados e prejudica o país. "A coalizão PT e PMDB tem feito mal ao Brasil. [...] O Temer é o representante maior dessa atual hegemonia. É produto de um acordo que deu origem a essa hegemonia."
Na semana passada, o PMDB foi surpreendido com uma declaração de Lula a rádios de São Luís (MA), na qual sugeriu que o partido apresentasse uma lista tríplice para que Dilma Rousseff (PT) escolhesse o candidato a vice na sua chapa.
Bradando indignação, a ala do PMDB que orbita em torno de Temer -como o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o deputado Eduardo Cunha (RJ)- exige uma retratação pública do presidente.
Gesto de proteção
As críticas de Ciro ao PMDB já vêm de algum tempo, mas ontem foi a primeira vez que o deputado do PSB mirou diretamente no presidente da Câmara. Segundo ele, sob o comando de Temer, a Câmara vive um processo de "seleção natural às avessas": "Aqui, quanto mais despreparado e menos decente, maior é o prestígio", afirmou.
A sugestão da lista tríplice feita por Lula, segundo Ciro, não foi acidental. "O presidente é uma pessoa bem informada e fez um gesto de proteção à Dilma. Fez muito bem, aliás." Ciro disse ainda que os escândalos no Congresso são pequenos perto do que de fato prejudica o Brasil: a aliança PT-PMDB.
"Enquanto a imprensa distrai a população com escândalos de polichinelo, não se percebe a dimensão do real escândalo que é essa hegemonia política", afirmou. Ciro não escolheu à toa o momento, as palavras e os alvos. Encurralado por uma aliança dos maiores partidos do país, tenta encontrar espaço para colocar de pé uma candidatura presidencial, ou pelo menos arrancar dos peemedebistas a vaga de vice de Dilma.
Lula e parte do PT o pressionam a desistir da eleição nacional e ser candidato a governador de São Paulo, mas Ciro resiste: "Ou serei candidato a presidente, ou não serei a nada".
Sem ocultar o ressentimento com Temer, disse que nunca teve oportunidades como deputado: "Eu aqui nunca tive nada. Sou ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro da Fazenda, ex-ministro da Integração Nacional, mas nunca tive nada aqui". Quem leva tudo, segundo ele, é Eduardo Cunha. "Ele casa, descasa e faz batizado aqui. Qual a explicação para isso?"
Mais tarde, em plenário, dirigindo-se a Temer, Ciro agrediu verbalmente Cunha: "Feche a Câmara, presidente, e pergunte o que o Eduardo Cunha quer para o Brasil!". Procurados, Temer, Cunha e Alves não comentaram as declarações.

Fábio Zanini, de Brasília, não sabe ler o que vai "nas entrelinhas": dias após Lula sugerir ao PMDB uma lista tríplice para a definição do candidato a vice na chapa de Dlma, Ciro ataca o partido de - e o próprio - Temer. Entendesse o que é dito em silêncio, Fábio - e seu editor - não comprariam e tentariam vender uma "crise" entre o presidente e o deputado, aliado incondicional desde o início do governo. Acredito ser mais certeira a tese de Ciro estar a trabalho do esvaziamento do apetite pouco saudável peemedebista. De resto, a única menção de Ciro ao presidente Lula, respeitosa - "é uma pessoa bem informada" - ganha a concordância do deputado: "fez um gesto de proteção à Dilma. Fez muito bem, aliás".



Escrito por Cassio Oliveira às 16h27
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SP embaixo d'água e Serra na Dinamarca...

Uma semana após "a natureza que se rebela" provocar o temporal que paralisou a cidade mais rica do Brasil, seis bairros continuam alagados: Chácara Três Meninas, Vila das Flores, Jardim São Martinho, Vila Aimoré, Vila Itaim e Jardim Romano.

Enquanto isso, o omisso governador paulista José Serra passeia em Copenhague e tem encontro com "O Exterminador do Futuro", Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia.

Serra não precisaria ter ido tão longe para conhecer heróis, e da vida real. Bastaria algumas horas de viagem do Morumbi ao extremo leste para encontrar gente de verdade que luta bravamente contra um inimigo poderoso: o descaso.



Escrito por Cassio Oliveira às 00h54
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Confecom: democracia x autoritarismo

O argumento oficial dos contrários a Conferência de Comunicação em curso na captal Federal é a pretensa intenção de controle da mídia pelo PT através dos movimentos sociais, contra o que se considera "imprensa livre". Colunistas bem adestrados pelos patrões não perdem oportunidade de "denunciar" o "viés totalitário" da iniciativa. Ocorre que, por trás da "defesa de princípios democráticos" está, apenas, o medo da perda de privilégios.

Com raras excessões - a Record de Paulo Machado de Carvalho é uma -, os grandes grupos de comunicação do Brasil ou surgiram e/ou prosperaram como instrumentos de apoio ao golpe militar de 64; ou foram "presentes" aos políticos alinhados com a ditadura. Abaixo, alguns exemplos:

SBT: Nasce em 1975, por decreto do ditador Ernesto Geisel; Silvio Santos, ao conquistar a amizade de Dulce Figueiredo - esposa do também ditador João Figueiredo -, "ganha" o canal 4 de São Paulo e inicia a montagem da rede SBT. Em troca, "brinda" Figueiredo com "A Semana do Presidente".

Globo: Nasce em 1965 - um ano após o golpe militar -; em 1969, torna-se Rede com a transmissão do Jornal Nacional para várias afiliadas. Emílio Garrastazu Médici, o ditador à época, disse, satisfeito com o bom serviço prestado pelo auto proclamado "doutor Roberto: "Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho". A função de "tranquilizante" - para o povo - é exercida até o final do regime de excessão, como prova o silêncio global durante os comícios que pediam "Diretas Já!". É retransmitido em Alagoas pela TV Gazeta de Arnon de Mello - pai de Fernando Collor -, político conhecido por disparar 3 tiros contra um adversário dentro da Câmara Federal; na Bahia, pela Rede Bahia, da família Magalhães do falecido ACM; no Maranhão, pela Rede Mirante, da família Sarney; em Caruaru, Pernanbuco, pela TV Asa Branca do deputado Inocêncio Oliveira (ARENA, PDS, PFL; hoje no PR), condenado em 2006 por manter trabalhadores em regime de escravidão na Fazenda Caraíbas (MA), de sua propriedade; em Floriano, Piauí, pela TV Alvorada do Sul, do falecido senador João Lobo (ARENA); e, em Aracaju, Sergipe, pela TV Sergipe, do deputado tucano Albano Franco.

Band: Nasce da Rádio Bandeirantes do ex governador paulista Ademar de Barros, um dos líderes da famigerada Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo, em 19 de março de 1964, manifestação que atiçou os militares golpistas contra João Goulart.

Abril: nasce na década de 1950, com seis funcionários responsáveis pela publicação do gibi "Tio Patinhas". Ganha destaque em 1968 - ano do AI-5 - com o lançamento da semanária Veja que, sob a direção de Mino Carta, era constantemente censurada pela ditadura militar. O problema foi resolvido em 1976, quando Roberto Civita, acossado por uma grande dívida no exterior, teve um empréstimo negado pelos generais que controlavam o país sob o argumento da independência da revista. Mino sai de cena e nasce a Veja que conhecemos hoje. Teve um bom momento durante o governo FHC quando, através das editoras Ática e Scipione, monopolizou o fornecimento de livros didáticos para o Ministério da Educação. Em 2006, novamente as voltas com dívidas - a Abril é a segunda maior devedora privada do Brasil, atrás, apenas, da Rede Globo -, vende 30% de seu capital para o Naspers, grupo de mídia sul-africano que esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, organização partidária de extrema-direita que legalizou o criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

O auto proclamado "tio rei", blogueiro da revista Veja, ao comentar a Confecom, chama Lula, Franklin Martins e Luiz Dulci, em post publicado hoje em sua página na Internet, de "A Vanguarda do atraso". Talvez por considerar ícones da modernidade o apartheid, o clã Magalhães, a ditadura militar ou Ademar de Barros. É o que o referido apontou ontem como "canalhice moral", a condescendência com o roubo praticado por amigos/parceiros. Udenismo rasteiro típico de uma classe média decadente e desprovida de discurso.

Encerro, por ora, nos exemplo acima, que mostram com absoluta clareza que a mídia brasileira de hoje é resultado do compadrio entre políticos e empresários com o regime militar, o que justifica a grita de seus porta-bandeiras contra a iniciativa de democratização dos canais de comunicação no Brasil. Que a Confecom, finalmente, corrija o "totalitarismo de poucos" expresso em TVs, rádios e jornais brasileiros.



Escrito por Cassio Oliveira às 17h20
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"O caos é diferente. O caos é o caos"

A frase acima merece o registro tardio: foi verbalizada no última dia 9, quando parte da pobre e populosa Zona Leste de SP ainda - e não é diferente hoje, passado quase uma semana - estava mergulhada no lamaçal putrefado provocado pelo temporal que parou São Paulo.

Disse o fantoche de Serra:

"Foi um dia difícil para a cidade, mas não foi o caos. O caos é quando se perde o controle, uma cidade sem rumo. O caos é diferente. O caos é o caos".

Sem comentários.



Escrito por Cassio Oliveira às 13h22
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Do Cloaca News:

Enquanto Lula anuncia a intenção de tirar o povo da merda, o omisso governador paulista - que culpa a rebeldia da natureza pelas enchentes de SP - poderia seguir a sugestão do site Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com) e lançar o "moderno" e "revolucionário" programa:



Escrito por Cassio Oliveira às 13h12
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